PROPOSTA DE REGULAMENTAÇÃO PARA AS SOLTAS DE POMBOS-CORREIO
Preâmbulo:
A proposta que se apresenta, pressupõe que os pombos criados em Portugal, devido ao seu habitat, conseguem suportar temperaturas mais elevadas que os seus congéneres dos países do centro da Europa. Realce-se que se considera que a prova começa efectivamente com o encestamento, a qualidade do transporte e não com a solta. Teve-se em conta a regulamentação da comunidade que entrou em vigor em 2007, adaptando-a ao transporte de pombos-correio, por se entender que são atletas de alta competição, pelo que, devem ter medidas mais restritivas (melhores condições no transporte). Os elementos meteorológicos, em referência, referem-se única e exclusivamente à capacidade mecânica do voo do Pombo-correio. A relação em referência à variação do campo magnético (silêncio dos pombos, sismos e tempestades magnéticas) é baseada em análises "pós acidente/desastre".
A aplicação de uma legislação sobre soltas de pombos-correio coloca Portugal numa situação pioneira.
Antecedentes:
Sempre existiram acidentes e desastres em columbofilia. No tempo do caminho-de-ferro os pombos e columbófilos estavam sujeitos ao tempo que fazia. Não havia hipótese de mudar nem fazer ajustes. Era pombos para o ar. Com o aparecimento dos meios de transporte das associações veio a verificar-se uma melhoria significativa na qualidade dos concursos. Mas é na década de 90, com as novas tecnologias, que se vem a generalizar a ausência de desastres constantes. Assistimos durante estes anos a acidentes e ocasionalmente a desastres que não se conhecem as causas. Depois de 2002, com a introdução do apoio meteorológico directo, elaborou-se relatórios e, de uma maneira geral, foram identificadas as causas em 80% dos acidentes e/ou desastres. Estas foram exclusivamente associadas a elementos meteorológicos. Em especial no primeiro fim-de-semana em que se verifica calor, por falta de adaptação ao meio, quer do pombo quer da estrutura columbófila.
Elaborou-se estudos do modo como os diversos elementos meteorológicos afectam o voo do pombo-correio, foram publicados, encontram-se expostos na página da FPC e nunca foram colocados em prática. Os últimos desastres enquadram-se nestes estudos e poderiam ter sido evitados se se tivesse aplicado, em devido tempo, esse conhecimento.
Foram, ao longo dos anos feitos alertas semanais, bem como nos dias das soltas e, muitas vezes, não foi dada a atenção devida, resultando em acidentes e/ou desastres.
Não existe regras de solta aprovadas em nenhuma Federação de Columbofilia (Steven Van Breemen).
Objectivo:
Regulamentar com base nos acidentes, desastres anteriores e normas da comunidade, de modo a:
REGRAS PARA O TRANSPORTE, ABEBERAMENTO, ALIMENTAÇÃO E QUANTIDADE DE POMBOS POR CAIXA DE POMBOS-CORREIO
TRANSPORTE:
Os transportadores que efectuarem viagens de longo curso devem utilizar um sistema de navegação (GPS posicional). Os registos obtidos por este sistema de navegação devem ficar guardados durante, pelo menos, 3 anos e, se necessário, faculta-los à autoridade competente quando solicitado. (Regulamento (CE) n.º 1/2005 do Conselho, de 22 de Dezembro de 2004).
As galeras devem ser lavadas e desinfectadas antes de qualquer utilização.
CAIXAS:
As caixas devem ter chão em papelão ou rede plástica. Devem ser limpas e desinfectadas antes de qualquer utilização.
VENTILAÇÃO:
Os meios de transporte rodoviário devem ser equipados com sistemas de ventilação e controlo da temperatura:
Os sistemas de ventilação devem:
ABEBEBERAMENTO:
Os transportes devem estar equipados com um sistema de fornecimento de água que permita ao tratador fornecer água instantaneamente sempre que necessário durante a viagem; Os aparelhos de abeberamento devem ser bem concebidos, estar em boas condições de funcionamento e posicionados de acordo com as necessidades dos pombos; Os bebedouros devem ser concebidos de modo a poderem ser drenados, limpos e desinfectados após cada viagem e possuírem um sistema de verificação do nível da água; Os depósitos devem estar ligados a aparelhos de abeberamento e mantidos em boas condições de funcionamento e de higiene. (Regulamento (CE) n.º 1/2005 do Conselho, de 22 de Dezembro de 2004).
Tempos de abeberamento:
Sempre que a temperatura máxima prevista seja de 30ºC ou mais deve haver água à descrição antes da largada.
ALIMENTAÇÃO:
Nas provas de Fundo e Grande Fundo, os pombos devem ser alimentados pelo menos uma vez por dia, de preferência à tarde, só sendo permitido alimentar dentro das caixas, quando aí existirem comedouros.
Com as galeras actuais, sempre que a temperatura máxima prevista quer pelo
IM de Portugal ou INM de Espanha, seja de 30ºC ou mais no percurso do
transporte deve-se observar as seguintes quantidades de pombos por caixa:
Grande Fundo: 15 Pombos; Fundo: 20 Pombos;
Meio Fundo: 25 Pombos Velocidade: 30 Pombos
REGRAS PARA A SOLTA DE POMBOS-CORREIO
Os delegados de solta devem fazer-se acompanhar, além de GPS (posicional) e Termómetro, de máquina de filmar e/ou fotográfica.
Todas as soltas devem ter registo de imagem, sendo este entregue com o relatório do delegado de solta.
Propõe-se a marcação de uma data para que todas as viaturas de transporte tenham câmaras ligadas à Internet com hipótese de visualização on-line do interior e exterior.
(Estado do Tempo no local - Meteorologia)
(Campo magnético)
Proposta Tipo Semáforo (Subjectiva):
Atribuição de cores correspondentes ao grau de dificuldade prevista para a prova, por parte de uma equipa de coordenadores, cuja experiência seja reconhecida.
As cores serão sempre atribuídas com base numa expectativa de solta 15 a 20 minutos depois do nascer do Sol. Caso haja "carros" no local de solta, a actualização das cores devem ter em conta a observação em rota dos diversos elementos meteorológicos, bem como a análise de imagens de satélite e radar antes da solta.
As cores a atribuir serão: Vermelho, Laranja, Amarelo e Verde.
Vermelho: Não há condições para efectuar a solta em segurança. Há um elemento que só por si é impeditivo da realização do voo. Esta deve ser adiada.
Laranja: Os elementos analisados individualmente parecem relevantes e a interacção entre eles é nefasta para o voo. O conhecimento da rota, do local de solta e a comparação com situações anteriores é de extrema importância. Os pombos bem preparados superam a prova com dificuldade.
Amarelo: As circunstâncias descritas individualmente não parecem relevantes e a interacção entre elas poderá complicar o voo. Aguarda-se uma prova com algum grau de dificuldade em que todos os elementos devem ser controlados. Os pombos bem preparados superam a prova com normalidade.
Verde: As condições meteorológicas não apresentam dificuldade em termos de mecânica do voo. A aplicação da situação verde não invalida a existência de fenómenos localizados, tais como neblina ou nevoeiro. Devendo-se, nesta situação, aguardar pela melhoria da visibilidade.
Alguns exemplos da aplicação das cores
VERMELHO: Estimativa de pombos chegados no primeiro dia com os exemplos apresentados: Fundo (600Km) 5 a 10% - Meio Fundo (400km) 25 a 45% - Velocidade (250km) 40 a 60%.
- Vento de "bico" igual ou superior a 60 km/h;
- Vento de bico igual ou superior a 50 km/h com rajadas;
- Temperatura máxima prevista de 39ºC ou mais;
- Temperatura mínima prevista de 23ºC ou mais;
- Temperatura mínima prevista de 0º C ou menos;
- Onda de calor;
- Chuva em mais de metade da prova, com vento com componente contra;
- Aguaceiros fortes e/ou chuva no primeiro terço da prova;
- Células de nuvens de desenvolvimento vertical (trovoadas) na linha de voo, cuja área seja difícil de contornar;
- Trovoadas na área envolvente ao local de solta;
- Neve na área do local de solta.
LARANJA: Estimativa de pombos chegados no primeiro dia com os exemplos apresentados: Fundo (600Km) 20 a 40% - Meio Fundo (400km) 50 a 70% - Velocidade (250km) 60 a 80%.
- Chuva em menos de um terço da prova e vento inferior a 30 km/h com componente contra (bico);
- Aguaceiros frequentes e vento inferior a 30 km/h com componente contra (bico);
- Chuva em metade da prova, com vento com componente favorável;
- Vento de "bico" superior a 40 km/h e inferior a 50 km/h;
- Vento de "bico" superior a 30 km/h e inferior a 40 km/h com rajadas;
- Vento cruzado de "rabo" superior a 70 km/h;
- Chuva fraca ou chuvisco num terço ou mais do percurso sem vento favorável;
- Temperatura máxima entre 35ºC e 38ºC sem vento favorável;
- Temperatura mínima entre 20 e 22ºC sem vento favorável;
AMARELO: Estimativa de pombos chegados no primeiro dia com os exemplos apresentados: Fundo (600Km) 50 a 75% - Meio Fundo (400km) 80 a 90% - Velocidade (250km) 92 a 98%.
- Vento de "bico" entre 30 e 40 km/h;
- Vento de "bico" inferior a 25/30 km/h com chuva à chegada;
- Aguaceiros fracos;
- Temperatura máxima em rota entre 30 e 34ºC sem vento favorável;
- Mínima no local de solta entre 17 e 19ºC se vento favorável;
- Temperatura durante a prova inferior a 8ºC e vento com componente contra "bico";
- Chuva fraca num terço ou menos da prova com vento com componente favorável "rabo";
VERDE: Estimativa de pombos chegados no primeiro dia com os exemplos apresentados: Fundo (600Km) 70 a 90% - Meio Fundo (400km) 92 a 100% - Velocidade (250km) 95 a 100%.
- Vento de "rabo" inferior a 60 km/h e sem precipitação;
- Vento de "bico" inferior a 30Km/h;
- Visibilidade superior a 10 km;
- Temperatura máxima inferior a 30ºC;
- Céu muito nublado no percurso, boa visibilidade e sem precipitação.
- Céu com períodos de muito nublado em rota, boa visibilidade e aguaceiros fracos.
Fernando Manuel Duarte Garrido
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