NUVENS E
PRECIPITAÇÃO
As nuvens constituem o
efeito visível de uma série de factores dinâmicos e termodinâmicos que se
produzem na atmosfera. Em qualquer momento, cerca de metade da superfície do
planeta encontra-se coberta de nuvens com espessuras bastante variadas. Todas
estas nuvens sofrem grandes variações tanto no tempo como no espaço e algumas
têm usualmente uma duração efémera. Um Cumulonimbo pode desenvolver-se tão
rapidamente que 30 minutos após o seu aparecimento, como uma pequena nuvem, já
poderá ter uma extensão vertical na ordem dos 10 Km ou mais e, passada mais uma
hora, ter dissipado. Cada tipo de nuvem apresenta para a aeronáutica os mais
diversos condicionalismos, daí a necessidade de as conhecer.
Classificação internacional
das nuvens (Descrição, altura, Altitude extensão
vertical). A identificação das formas de nuvens
baseia-se em definições especificas e descrições dadas no Atlas Internacional de
Nuvens. As nuvens encontram-se num processo contínuo de evolução e aparecem numa
variedade infinita de formas. É, no entanto, possível definir um número limitado
de formas características, frequentemente observadas em todo o mundo, nas quais
se podem agrupar, em linhas gerais, as nuvens.
Foi estabelecida uma
classificação das formas características das nuvens, em termos de géneros,
espécies e variedades. No âmbito desta disciplina interessa apenas referir os
géneros, em número de dez e que são:
- Cirros (Ci) - Nuvens isoladas - filamentos brancos e delicados - bancos ou faixas estreitas brancas ou quase brancas - aspecto fibroso ou sedoso.
- Cúmulos (Cu) - Nuvens isoladas, geralmente densas e de
contornos nítidos. Desenvolvem-se
verticalmente em forma de montículos, cúpulas, torres, etc.; cuja região
superior parece muitas vezes uma couve-flor. As posições iluminadas pelo Sol são
quase sempre de um branco brilhante, enquanto a base é realmente sombria, e
sensivelmente horizontal. Estas nuvens (Cu) são, às vezes,
esfarrapadas.
- Cumulonimbo (Cb) - Nuvem densa e forte, de grande
extensão vertical, em forma de montanha ou enormes torres. A região superior,
pelo menos em parte é, em regra
lisa, fibrosa ou estriada, e quase sempre achatada. Esta parte espraia-se
frequentemente em forma de bigorna ou grande penacho.
Esquematicamente, os dez géneros podem representar-se segundo o quadro seguinte, agrupados em famílias.

Importantes são também os conceitos de altura, altitude e extensão vertical. Assim define-se como a:
Altura de um ponto, por exemplo a
base ou o topo de uma nuvem, é a distância vertical entre o nível do local de
observação (que pode estar situado numa colina ou montanha) e o nível do ponto
considerado.
Altitude de um ponto, por exemplo a
base ou o topo de uma nuvem, é a distância vertical entre o nível médio do mar e
o nível do ponto considerado.
Extensão
vertical de
uma nuvem é a distância vertical entre o nível da base e o nível do topo da
nuvem.
No quadro seguinte, as nuvens
encontram-se agrupadas em 3 famílias, correspondendo cada uma delas a um andar:
superior, médio ou inferior
consoante a altura das suas bases.
Assim, os andares sobrepõem-se e os seus
limites dependem da latitude. As alturas aproximadas destes limites são as que
constam no quadro seguinte. Importa ainda referir que
alguns dos géneros de nuvens têm as suas bases num determinado andar mas
prolongam-se até outros andares. Nesta situação encontram-se os cúmulos e
cumulonimbos que têm em regra a base no andar inferior, mas apresentam
frequentemente tal extensão vertical que os seus topos podem penetrar no andar
médio e até no andar superior.

Assim, as condições que têm
de se verificar para que uma nuvem se forme são:
- Existência de
núcleos de condensação;
- Existência de
humidade;
- Arrefecimento do
ar até á temperatura de saturação;
- Processo que
eleve o ar.
Causas gerais para a
elevação do ar. Tipos de nuvens associados.
Chama-se convecção térmica
ao transporte de calor por movimentos verticais do ar. Estes movimentos estão directamente
relacionados com a estabilidade do ar.
Se há instabilidade,
desencadeando o movimento vertical, o ar continua a mover-se até que essa
instabilidade termine. No seu movimento ascendente a massa de ar irá arrefecer
até alcançar o nível de condensação - nível a partir do qual se começa a formar
a nuvem - ocorrendo aí a saturação. As nuvens assina formadas podem atingir
níveis bastante elevados na atmosfera e são conhecidas por nuvens convectivas ou
de desenvolvimento vertical. Os principais processos que podem levar â formação
das nuvens convectivas são:
- Aquecimento do solo por
radiação solar directa (Fig. 6-1);
- Aquecimento, pela base de
uma massa de ar frio que se move sobre uma superfície mais quente.
Causas frontais. Nuvens frontais.
Ar frio empurrando o ar
quente. Em
determinados circunstâncias e compreendendo uma vasta área, uma extensa massa de
ar frio empurra uma outra de ar quente, que arrefece e se satura. Como o ar frio
é mais denso coloca-se de baixo do ar quente, formando uma superfície de cunha
que obriga este a subir e a elevar-se, originando fortes correntes verticais e
desencadeando-se assim a instabilidade. A nebulosidade que se forma é do tipo
cumuliforme (Cu e Cb), e como as
massas de ar em jogo cobrem vastas áreas, as nuvens formam uma extensa barreira
que muitas vezes ultrapassa os 1000 km de comprimento.
Ar quente movendo-se sobre
ar frio.
Outra situação ocorre quando uma massa de ar quente choca com uma massa de ar
frio. Neste, a massa de ar quente, menos denso que o ar frio, vai deslizar sobre
a massa de ar frio e ao ascender vai arrefecer e condensar-se.
A nebulosidade é do tipo estratiforme e a profundidade do sistema nebuloso pode alcançar os 500 km.
Causas orográficas, Nuvens
orográficas.
As nuvens orográficas
formam-se quando o vento tem uma componente perpendicular à montanha e a
humidade relativa é suficientemente alta.
A barlavento (fig. 6-2) o
ar é obrigado a subir, arrefece e
alcança a saturação a partir do nível de condensação. A sotavento o ar vai
descer, aquecendo e a nuvem vai-se dissipando. Este fenómeno é vulgarmente
conhecido em meteorologia por efeito de Fõhn.
Outro fenómeno
característico em zonas de montanha é
o da formação de ondas estacionárias a sotavento da montanha. O esquema da
figura 6-2 mostra que, nestas ondas, as nuvens podem igualmente formar-se e
dissipar-se por um processo semelhante ao do efeito de Fõehn. Geralmente estas
nuvens, que se formam a sotavento, têm um perfil lenticular característico.
Dissipação das
nuvens. As
nuvens dissipam-se em presença de correntes verticais descendentes. Ao descer, a
massa de ar aquece adiabaticamente e as goticulas de água que constituem as
nuvens evaporam-se. A este movimento descendente, em grande escala, dá-se o nome
de subsidência e é um fenómeno típico dos anticiclones.
Outros factores que podem
contribuir para a dissipação das nuvens são a precipitação, mistura com ar mais
seco da vizinhança da nuvem e a insolação.
Precipitação.
Definição e
formas.
Chama-se precipitação à água que, sob a forros sólida ou liquida, atinge a
superfície da Terra procedente das nuvens. A precipitação pode apresentar
diversas formas:
- Chuva - Precipitação contínua de água liquida cujas gotas têm um diâmetro superior a 0,5 mm;
- Chuvisco - Precipitação
bastante uniforme de gotas de água muito unidas e de diâmetros inferiores a 0,5
mm;
- Neve - Precipitação de
cristais de gelo que na sua maioria são ramificados;
- Granizo - Precipitação de
grãos de gelo de diâmetro inferior a 5 mm;
- Saraiva - Precipitação de
grânulos ou fragmentos de gelo de diâmetro superior a 5 mm;
- Aguaceiro - Precipitação
descontínua cuja queda raramente ultrapassa os 30 minutos. Pode ser constituído
por chuva, saraiva ou granizo.
- Trovoada - Descargas
eléctricas das nuvens associada a fenómenos acústicos e ópticos acompanhados ou
não de queda de precipitação.
Tipo de
precipitação.
A formação da
precipitação.
Existem dois processos
fundamentais que explicaria a formação da precipitação:
- Processo do cristal de
gelo;
- Processo da
colisão/coalescência;
O processo da
colisão/coalescência. Ocorre quando a nuvem é
quente, ou seja quando a sua temperatura for superior a 00º C. Neste caso, e na
presença de gotas de diferentes tamanhos, as gotas maiores crescem à custa das
gotas mais pequenas, quer por choque e acreção (junção das gotas) quer por
coalescência na presença de gotas maiores as gotas pequenas evaporam e o seu
vapor de água vai-se condensar sobre as maiores. Este processo ocorre
principalmente em nuvens estratiformes.
Efeitos da precipitação no voo dos Pombos Correio. A chuva e o chuvisco reduzem muitas vezes a visibilidade a cerca de l000 m e se é muito intensa a valores da ordem dos 500 m. Estas reduções estão abaixo dos mínimos normais do voo dos pombos, pelo que são forçados a poisar ou, se a área for detectada com antecedência, a percorrer grandes distâncias a contorná-las. Mas como estas situações normalmente estão associadas a frentes quentes estendem-se por grandes áreas, pelo é pouco provável o seu contorno. Só em situações localizadas, como as que são frequentes junto à costa entre Peniche e Aveiro nos meses de Junho e Julho é possível esse contorno. A precipitação, quando existe, e a humidade transmitida às penas, torna o voo muito difícil. Saliente-se no entanto que se tem verificado que em situações em que se verifica precipitação fraca, oriunda de Altoestratos, visibilidade superior a 7/8 km e vento favorável os pombos tendem a fazer provas "normais".
Voar através do granizo e Saraiva (partículas de gelo cujo diâmetro é superior a 5mm) pode mesmo provocar a morte dos Pombos correio. Normalmente são forçados a pousar. No entanto por se tratar de meteoros oriundos de células Cumuliformes os Pombos detectam-nas a grande distância pela escuridão, típica deste fenómeno, e tendem a desviar-se seguindo a direcção do vento.
Identificação de Nuvens
Estratos
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Cumulonimbos
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Altostratos
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Cirros
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Textos, fotos e desenhos elaborados por: CAP/TOMET Fernando Garrido sob manual MDINST 395-12 da FAP
Fotos de Nuvens: Australianseverweather